A ciência é clara: quanto mais cedo o Transtorno do Espectro Autista (TEA) for identificado, melhores são os resultados das intervenções. Crianças que recebem apoio precoce — antes dos 3 anos — apresentam ganhos significativos em linguagem, interação social e autonomia. Por isso, conhecer os sinais que merecem atenção é fundamental para toda família.
O que são sinais precoces?
Os sinais precoces do TEA são comportamentos ou ausências de comportamentos esperados para determinada faixa etária. É importante ressaltar que a presença de um sinal isolado não significa que a criança tem autismo. O que merece atenção é o conjunto de sinais e a persistência deles ao longo do tempo.
Sinais por faixa etária
Entre 6 e 12 meses
Nessa fase, os sinais mais comuns são a pouca ou nenhuma resposta ao nome quando chamado, a ausência de sorriso social (aquele sorriso de interação com os pais), o contato visual reduzido ou ausente, a pouca variação nas expressões faciais e o balbucio limitado ou ausente (espera-se que o bebê comece a balbuciar por volta dos 6 meses).
Entre 12 e 18 meses
Nessa faixa, outros sinais podem se tornar mais evidentes: ausência de gestos comunicativos como apontar, acenar ou mostrar objetos, pouco interesse em brincadeiras de imitação (bater palma, dar tchau), a criança pode não trazer objetos para mostrar aos pais, demonstrar pouco interesse em outras crianças e apresentar atraso no surgimento das primeiras palavras.
Entre 18 e 36 meses
A partir dos 18 meses, a maioria dos sinais se torna mais perceptível. Preste atenção especial se a criança apresentar atraso significativo na fala (poucas palavras ou ausência de frases com 2 palavras aos 24 meses), se houver perda de habilidades já adquiridas (regressão) como palavras ou gestos, se a criança demonstrar dificuldade em brincar de "faz de conta", se preferir brincar sozinha e parecer indiferente a outras crianças, se apresentar movimentos repetitivos como balançar as mãos (flapping), girar objetos ou alinhar brinquedos, se demonstrar reações intensas a sons, texturas, luzes ou sabores ou se tiver dificuldade com mudanças na rotina.
A escala M-CHAT: uma ferramenta para famílias
O M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é um questionário validado cientificamente, recomendado para crianças entre 16 e 30 meses. Ele contém perguntas simples que os pais podem responder sobre o comportamento do filho, e o resultado indica se há necessidade de uma avaliação mais aprofundada.
Em 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar que profissionais da atenção primária apliquem o M-CHAT em todas as crianças entre 16 e 30 meses como parte da rotina de acompanhamento do desenvolvimento. Isso significa que, na consulta de puericultura no posto de saúde, o pediatra deve aplicar esse instrumento.
Novas ferramentas de rastreamento
Além do M-CHAT, novas tecnologias estão surgindo para apoiar a identificação precoce. A Avaliação EarliPoint, aprovada pela FDA em 2025, utiliza rastreamento ocular para fornecer dados objetivos sobre padrões de atenção visual em crianças de 16 a 30 meses. Embora ainda não amplamente disponível no Brasil, essa ferramenta representa o futuro do rastreamento do TEA.
"Meu filho apresenta alguns sinais. E agora?"
Se você identificou sinais que te preocupam, o primeiro passo é conversar com o pediatra do seu filho. Descreva o que você observou de forma objetiva. Se o pediatra não demonstrar preocupação, mas sua intuição de pai ou mãe disser o contrário, busque uma segunda opinião com um neuropediatra ou psiquiatra infantil.
Não espere para agir. A intervenção precoce pode começar antes mesmo do diagnóstico formal. O Ministério da Saúde recomenda que estímulos e intervenções sejam iniciados assim que houver suspeita, sem necessidade de esperar o laudo definitivo.
Passos práticos ao suspeitar de TEA
Registre os comportamentos que chamaram sua atenção, com datas e contextos. Procure o pediatra e solicite avaliação do desenvolvimento. Se necessário, peça encaminhamento para neuropediatra. Busque avaliação multiprofissional (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia). Inicie estimulação precoce o quanto antes, mesmo durante o processo diagnóstico.
A importância de documentar desde o início
Registrar os marcos do desenvolvimento, os sinais observados e o histórico de consultas é extremamente valioso. Esses registros não apenas facilitam o diagnóstico como também são necessários para acessar direitos como o BPC, matrícula com suporte escolar e cobertura de terapias pelo plano de saúde.
Como a Hugfy pode ajudar
A Hugfy permite que você crie um perfil para o seu filho desde a primeira suspeita, armazenando todos os documentos da jornada diagnóstica em um só lugar. Relatórios, exames, observações pessoais — tudo organizado e acessível. O assistente de IA da Hugfy pode orientar sobre os próximos passos e ajudar a interpretar informações. E quando o diagnóstico vier, você já terá toda a documentação pronta para dar entrada nos direitos do seu filho.
Identificar cedo não é rotular. É dar à criança a melhor chance de se desenvolver no ritmo dela, com o suporte que ela merece.
